Retrospectiva 2017 – O que a imagem nos dá a pensar?

Em 2017 foi inaugurado o projeto Pedagogias da Imagem, o cineclube da Faculdade de Educação da UFRJ. Privilegiando a relação entre cinema e pensamento, o cineclube aposta no potencial transformador das imagens, naquilo que escapa à mera informação e nos faz perceber formas diversas de nos afetarmos com e pelos filmes.

Enquanto planejamos a programação de 2018, fevereiro será o mês da retrospectiva, com postagens referentes às sessões do ano passado. Este trailer-retrospectiva é uma pequena forma de rememorar (e multiplicar) as experiências vivenciadas pelas imagens em movimento em nossas sessões.

 

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Cinema, política e história na sessão de novembro

 

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Foto: belga

No dia 14/11 aconteceu a sessão de novembro do cineclube Pedagogias da Imagem. A sessão foi uma realização da Faculdade de Educação da UFRJ em parceria com a Cinemateca do MAM e a California Filmes, e teve como programação a pré-estreia do filme O jovem Karl Marx, de Raoul Peck, que chegará às telas brasileiras no dia 28/12.

Pela primeira vez, o Pedagogias da Imagem fez uma sessão extramuros, fora da UFRJ e abrigado pela tradicional sala de cinema da Cinemateca do MAM. Quem conversou com o público após a exibição do filme foi a professora Claudia Piccinini, doutora em Educação pela PUC-Rio e professora da Faculdade de Educação da UFRJ, integrante do Coletivo de Estudos em Marxismo e Educação.

Após abordar em profundidade a trajetória de Karl Marx e Friedrich Engels, em comparação com os momentos documentados e levados à tela por Raoul Peck, Claudia salientou a relevância e atualidade da obra dos autores para o presente, o olhar crítico sobre a materialidade que os cercava, os modos de produção e a tensão provocada pela desigualdade social. Em uma época marcada pela rarefação do espírito crítico, a sessão do Pedagogias da Imagem funcionou como uma abertura ao pensamento sobre a história, sobre a relação entre o conhecimento, a política e o desejo de transformação da sociedade.

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Foto: belga
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Foto: belga

 

A ciência da revolução

The Young Karl Marx

A sessão de novembro do Pedagogias da Imagem acontecerá na próxima terça-feira, dia 14/11, mas não será em nenhum dos auditórios do campus da Praia Vermelha. Teremos nossa primeira sessão “extra-muros”, na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, com uma programação especial: faremos a pré-estreia do filme ‘O jovem Karl Marx’ (Le jeune Karl Marx – Alemanha, França, Bélgica), que tem data de estreia nos cinemas em 28/12.  A pré-estreia, no dia 14/11, terá início às 14h, um horário um pouco mais cedo que o tradicional do cineclube. Logo após a sessão, teremos a honra e alegria de receber a nossa convidada do mês, Claudia Lino Piccinini, doutora em Educação pela PUC-Rio, professora da Faculdade de Educação da UFRJ e pesquisadora integrante do COLEMARX – Coletivo de Estudos em Marxismo e Educação.

O filme do diretor Raoul Peck (que dirigiu também o documentário ‘Eu não sou seu negro’, indicado ao Oscar em 2016)  será exibido em parceria com a Cinemateca do MAM e a California Filmes. Fruto de mais de 6 anos e de uma extensa pesquisa combinada a partir de materiais bibliográficos relevantes, especialmente as cartas de Marx, o filme evita os clichês e o didatismo das biografias de cinema tradicionais. De acordo com o próprio diretor, “o velho homem barbudo descansando em seu dogma foi deixado para trás em favor das aventuras físicas e intelectuais desse trio irrepreensível (Karl e Jenny Marx e Friedrich Engels), em uma Europa cheia de tensão, vulnerável à censura, à beira de uma revolução popular e proletária sem precedentes, culminando – da parte do filme – na confecção do “Manifesto Comunista” – essa razoavelmente analítica e radical lista de trabalhos e doentios efeitos do capitalismo.”

Após o filme, a professora Claudia Lino Piccinini abordará os elementos de novidade que as obras de Marx e Engels trouxeram para a cena política do século XIX. Travando um diálogo com as imagens desde sua linha de atuação e pesquisa, ela pretende aprofundar os temas suscitados sobre a parceria intelectual dos personagens, suas primeiras obras, o papel do materialismo para a ação política da classe trabalhadora e, especialmente, enfatizar as descobertas científicas que a dupla empreendeu.

Na contramão do imediatismo dos nossos tempos, trata-se de enfatizar uma intensa troca intelectual, a construção de uma elaboração teórica que enfatiza a relação da produção do conhecimento histórico com as possibilidades de transformação da sociedade. Para utilizar as palavras do diretor Raoul Peck: “hoje, a longa e grisalha barba de Marx não somente esconde sua face, ela eclipsa a possibilidade de uma reflexão serena, distante de polêmica e dificulta a exploração da real contribuição científica e política, sua extraordinária capacidade analítica, suas aspirações humanísticas, suas preocupações justificadas como por exemplo a distribuição de renda, trabalho infantil, igualdade entre homens e mulheres, etc. – todas grandes questões muito relevantes no mundo de hoje – na Europa e o resto do mundo. Cabe a cada um de nós refletir sobre a história que seguiu esse momento.”

O convite está feito.

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A escola, o controle e os entediados

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É hoje! A sessão de setembro do cineclube Pedagogias da Imagem acontece logo mais, às 17h. Teremos a honra e alegria de contar com a presença de Paula Sibilia, nossa convidada do mês. Paula é argentina, doutora em Comunicação pela UFRJ e em Saúde Coletiva pela UERJ, com pós-doutorado na Université de Paris VIII,  França. Ela é professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e do Departamento de Estudos Culturais e Mídia, da UFF.

Paula escolheu o filme Dentro da casa, do aclamado diretor francês François Ozon, para desdobrar questões com o público em sua palestra: Pedagogias dos entediados: a escola em crise, entre o regulamento e o bullying. De acordo com ela, as relações entre professores e alunos têm mudado muito nos últimos anos, compassando as transformações que vêm atingindo os mais diversos âmbitos. Contudo, em que pesem todas as crises, o dispositivo escolar continua funcionando e não deixa de marcar inúmeras experiências. O instigante filme de Ozon possui diversas cenas que nos ajudam a pensar sobre a eficácia dos mecanismos de controle psíquicos e sociais que vão perdendo ou ganhando vigência: das paredes para as redes, das advertências para o bullying, da culpa para a vergonha.

Para quem quiser conhecer mais sobre a produção de nossa convidada, deixamos aqui algumas sugestões: ela é autora dos livros O homem pós-orgânico: Corpo, subjetividade e tecnologias digitais (2002), O show do eu: a intimidade como espetáculo (2008), e Redes ou Paredes: a escola em tempos de dispersão (2012). Além disso, mais informações sobre sua produção podem ser encontradas em seu site.

A sessão acontecerá hoje, dia 5 de setembro, no auditório Manoel Maurício – CFCH/UFRJ (ao lado do Cópia Café), que fica no campus da Praia Vermelha da UFRJ (Av. Pasteur, 250). Acesse aqui o flyer de divulgação e confirme sua presença na página do evento no Facebook. Ainda dá tempo e a entrada é franca. Até breve!

Libertar a educação

 

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A sessão de agosto do cineclube Pedagogias da Imagem contou com um auditório lotado para assistir o filme Capitão Fantástico (Captain Fantastic – E.U.A., 2016), de Matt Ross, e conversar sobre educação e desescolarização com nosso convidado do mês, o filósofo e professor da Faculdade de Educação da UFRJ, Reuber Scofano.

Após comentar sobre os constrangimentos e as amarras impostas por certos modelos institucionais de educação, Reuber aproximou a crítica à escola de Ivan Illich à prática pedagógica de Tião Rocha, educador que produz potentes experimentações educacionais a partir dos desejos e necessidades dos participantes de seus círculos. A partir destes breves apontamentos, que entraram em composição com a trajetória e o destino do personagem Ben Cash, foi possível não apenas abrir a reflexão para questões e práticas contemporâneas alternativas de educação, como também repensar e reavaliar os modelos institucionais, a perpetuação de políticas e estilos de vida que diminuem a liberdade e a abertura para o novo.

Tivemos uma grande participação do público no enriquecimento do debate, colaborando com o aprofundamento das questões e com depoimentos de mães, pais, pedagogos, professores, estudantes e profissionais que já atuam em coletivos, espaços e ações que ajudam a pensar de outra forma os modelos educacionais.

Nossa próxima sessão acontecerá no dia 5 de setembro. Fiquem ligados no blog e na nossa página do Facebook para a divulgação da programação. Até lá!

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Pensar a educação e a desescolarização

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O convidado da sessão de agosto do cineclube Pedagogias da Imagem será Reuber Scofano, que é filósofo, mestre e doutor em Educação pela UFRJ e com pós-doutorado em Educação pela UFF. Reuber é professor da Faculdade de Educação da UFRJ, onde é também pesquisador ligado ao Laboratório do Imaginário Social e Educação (LISE). Reuber é organizador, junto com Nyrma Souza Azevedo, dos livros Recortes do imaginário: novas colagens (2009), e Estilhaços do imaginário (2016).

O cineclube Pedagogias da Imagem exibirá o filme Capitão Fantástico (Captain Fantastic – E.U.A.), de Matt Ross. Com a direção premiada na mostra Un certain regard, em Cannes, o filme foi também indicado ao Globo de Ouro e ao Oscar deste ano, na categoria de melhor ator para Viggo Mortensen, que interpreta o personagem Ben Cash.

Valendo-se dos elementos insólitos das comédias dramáticas do cinema independente norte-americano, o diretor Matt Ross desdobra a narrativa sobre um pai ocupado em criar seus filhos e viver de modo alternativo, afastado da sociedade e, portanto, com seus próprios meios de sobrevivência, subsistência e educação.

Desta premissa, levada às telas com bom humor, ironias e leveza por Matt Ross e pelo elenco, o filme nos provoca a pensar e mobilizar questões em torno da educação. Reuber propõe, a partir de aproximações entre os elementos do filme, uma reflexão sobre as propostas de desescolarização do pensador austríaco Ivan Illich – em sua obra A sociedade sem escolas (1971) – e a prática educacional do educador mineiro Tião Rocha.

A sessão acontecerá na próxima terça-feira, dia 8 de agosto, no auditório Manoel Maurício – CFCH/UFRJ (ao lado do Cópia Café), que fica no campus da Praia Vermelha da UFRJ (Av. Pasteur, 250). Acesse aqui o flyer de divulgação e confirme sua presença na página do evento, no Facebook. A entrada é franca.

Genealogias da corrupção

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Na última terça-feira, dia 20 de junho de 2017, o ciclo especial sobre as Jornadas de Junho, promovido pelo cineclube Pedagogias da Imagem, exibiu o filme 20 centavos, de Tiago Tambelli, e contou com a palestra O discurso da corrupção na política contemporânea, ministrada pelo nosso convidado do mês, o professor Paulo Vaz, da Escola de Comunicação da UFRJ. Uma das características das manifestações de 2013 foi a constante mudança de pauta trazida pelas ruas: das reivindicações pelo não aumento das passagens de ônibus e por melhores condições de transporte na cidade até os apelos contra a corrupção que pareceram emergir com mais intensidade a partir de 20 de junho daquele ano. A partir das imagens do filme de Tambelli, que acompanha de perto estas nuances e contradições, Paulo apresentou pesquisa que desenvolve já há algum tempo sobre os sentidos e os valores que carregam as menções feitas à corrupção na mídia e no cenário político global.

Uma de suas constatações é que há, no Brasil atual, um senso comum generalizado e crescente quando se fala de corrupção, associando-a facilmente à história do país e à identidade nacional. No entanto, Paulo demonstra que a atenção à corrupção está ligada à crise da representação. De acordo com ele, o discurso anti-corrupção é um fenômeno global que teve início nas décadas de 80 e 90, justamente com o aparecimento de técnicas que pela primeira vez permitiram mensurar, conhecer e designar a corrupção como algo a ser evitado. Analisando a visibilidade contemporânea do discurso sobre a corrupção, Paulo apontou como um de seus sintomas o surgimento da noção de transparência como valor a ser disseminado nas sociedades ocidentais capitalistas.

No entanto, o apelo moralizante à transparência reduz qualquer possibilidade de relação com a alteridade, nivelando a todos pelo dado comum de uma perspectiva moral, e não política, sobre o assunto. A corrupção, deste modo, pode ser utilizada como ferramenta jurídica estratégica para denúncias por parte daqueles que visam a ascender a algum cargo importante, sem colocar em jogo outras questões mais imediatas que ofereceriam nuances ao embate. Após a palestra, um ótimo debate ajudou a dar o tom da urgência da reflexão trazida por Paulo, ao mesmo tempo em que o público trouxe suas experiências e seus relatos para compor e fechar com chave de ouro este ciclo das Jornadas de Junho.

Nossa próxima sessão acontece no dia 4 de julho, terça-feira, às 17h, no mesmo auditório Manoel Maurício, no CFCH (Campus da Praia Vermelha da UFRJ – Av. Pasteur, 250), quando exibiremos o filme Max Max: Estrada da Fúria (Max Max: Fury Road, 2015), de George Miller. Para conversar com o público após o filme, teremos a honra de receber, como convidada do mês, a professora de filosofia Susana de Castro (IFCS/UFRJ), que ministrará a palestra O feminismo pelas estradas da fúria. A entrada é franca. Até lá!

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